18 de maio de 2010

Fúria Lupina Brasil - Degustação 2


Nota: este é um capítulo de degustação do livro "Fúria Lupina - Brasil" (2010). Para ler outros capítulos, CLIQUE AQUI.

Surge Um Caçador

Joe "Hell" Vansing aprecia a sua tequila, recostado no balcão. Morador de Hidalgo (Texas), ganha a vida com negócios ilícitos, como contrabando e golpes. Adora armas e, segundo ele mesmo, "toda cria do Tio Sam deve empunhar uma arma de fogo e se orgulhar disso". Além disso, possui um gosto todo especial pela caça, "um prazer quase sexual", conforme costuma dizer. Já fez parte de caçadas, tanto legais quanto clandestinas, em território norte-americano, e também na Austrália e na África.
"De vez em quando preciso arrastar meu esqueleto até o México, onde posso cometer alguns excessos que não ousaria na minha amada pátria", diz o caçador sempre que é questionado sobre suas visitas ao país vizinho. Não entraremos em detalhes sórdidos sobre tais práticas, porque todos os interesses mundanos de Vansing se tornarão insignificantes após os acontecimentos desta noite.
Joe está em um bar não muito bem frequentado, na periferia da cidade de Reynosa, sentado em frente a um balcão manchado e molhado. Movimenta os olhos vagarosamente, visualizando o ambiente ao seu redor. Cerca de dez homens mal-encarados distribuem-se entre a velha mesa de bilhar, o pequeno balcão e a área livre existente entre a porta do estabelecimento e os banheiros, à direita de quem entra.
Uma mistura caótica de sons inunda o ambiente, formada pelas animadas conversas dos grupos de frequentadores, por uma velha jukebox executando sofregamente uma versão de "Cama de Piedra", de Cuco Sánchez e, finalmente, por uma pequena TV atrás do balcão, ligada no noticiário local.
O clima geral é de comemoração, visto que o México acaba de sagrar-se campeão da Concacaf, conquistando assim uma vaga para participar da Copa do Mundo de Futebol do ano seguinte (1978), na Argentina. O telejornal da TV mostra os gols da última partida da seleção nacional, destacando a intensa participação da torcida mexicana, nesse campeonato em que foram anfitriões.
– Isso para mim é esporte de garotinhas! Pagaria para ver esses morenos na Liga Nacional de Beisebol ou na NFL. Teriam umas aulinhas práticas sobre o que é esporte de homens de verdade! – sussurra para si mesmo Joe, sem disfarçar um sorrisinho de escárnio.
Quando o assunto do noticiário passou para política internacional, o destaque foi o presidente norte-americano que tomou posse naquele ano, Jimmy Carter. Nesse momento, Vansing se levanta do banco, termina sua bebida de forma rápida, paga a conta e deixa o bar. "Era só o que me faltava! O pior não é ter de aturar esse democrata maricas, que se esforça tanto para fazer acordos com os inimigos vermelhos!", pensa, indignado, "Pior mesmo é ouvir isso até em língua estrangeira! Não vou gastar meu espanhol com isso."
Pisando duro e bufando, ele entra no seu jipe Willys 1961, verde como o do exército. Chave na ignição, charuto na boca, chapéu na cabeça, fita cassete no rádio. Das caixas de som, a voz profunda e inconfundível de Johnny Cash entoa "Send a Picture of Mother". "Sim senhor", diz em voz alta o caçador, já melhorando seu humor, "agora somos só eu e Mr. Cash, rodando até os Estados Unidos da América, embalados pelo show de Folsom Prison!" Ele pega uma estradinha de terra mal-iluminada, atalho já bem conhecido até a fronteira.
Passados alguns minutos, com a música "I Got Stripes" finalizando, algo inesperado acontece: ele nota um movimento no mato alto da beira da estrada, à direita, algumas centenas de metros à frente. Prontamente, diminui a velocidade do carro e observa. Bem à frente do veículo, surge em fuga alucinada uma cabra, na mesma direção em que ia o Willys, em diagonal. No seu encalço, o maior cachorro que Joe já tinha visto em toda a sua vida.
Uma freada brusca, chapéu no colo, charuto no chão, rádio silenciado. Ele não acredita no que presencia naquele momento. Após um salto incrível, a fera crava suas garras no caprino, que acaba se desequilibrando, tombando a aproximadamente cem metros do jipe.
No tempo de uma piscada de olho, o pobre animal já está convulsionando na beira da estrada, sucumbindo à feroz investida da besta selvagem. A cabeça lupina desce, num movimento rápido e preciso. O pescoço da presa é dilacerado de uma forma mortal por presas infernais. Um jorro de sangue banha a estrada, sendo prontamente obstruído pelo focinho do atacante, que parece se deleitar em beber o líquido espesso e quente, segurando a cabeça da cabra com uma pata dianteira e o corpo com a outra.
O lobo, posicionado de lado em relação ao jipe, não toma conhecimento da luz dos faróis nem da presença do humano, pois sua sede é insuportável, turvando seus sentidos. Vansing, recuperado do susto inicial, vê uma oportunidade de ouro de levar esse troféu para casa.
Sem desviar os olhos da cena, apalpa o banco traseiro, à procura de uma sacola com valioso conteúdo: Christine, sua velha espingarda. Nunca se sabe quando a sua queridinha pode ser requerida, e ele agradece aos céus quando sente seu toque frio e reconfortante. Procurando ser o mais silencioso possível, ele abre a porta do jipe, posiciona a mira e dispara.
O tiro acerta a lateral da cabeça do bicho, e o caçador orgulhosamente solta um "headshot!", velho bordão que adota quando a bala acerta o alvo dessa maneira. Nem bem teve tempo de baixar a espingarda, e seus olhos arregalam-se, não acreditando no que veem.
O canídeo, que deveria estar estatelado na estrada, simplesmente vira a cabeça na direção dele e emite um urro medonho, que é um misto de protesto e intimidação. Pior ainda: ele se levanta nas patas traseiras e vem caminhando, como se fosse uma pessoa! Novamente, Christine é posicionada, e outra bala voa com endereço certo, desta vez no meio dos olhos do cão dos infernos.
– Jesus Cristo! – é a única frase que Joe consegue formular nesse momento de pavor.
Mesmo indo contra toda a lógica, ele pode jurar que a bala ricocheteou, ao invés de estourar a cabeça desse ser, fruto algum pesadelo. A única reação do lobisomem foi parar sua marcha ameaçadora, levando as garras à cabeça e demonstrando uma certa desorientação, visto que cambaleia levemente em direção ao meio da estrada.
O único som audível neste momento é uma marcha arranhada, engatada às pressas, seguida de um arranque violento do jipe. O caçador, cego de pavor, nem vê como a criatura foi atropelada, sente somente o solavanco das rodas do lado esquerdo, passando por cima do ser macabro.
Ele para algumas dezenas de metros à frente, torcendo para que tivesse sobrado algo da carcaça para ele levar aos EUA. Pelo menos a cabeça ele manteria como troféu. Ainda sentado, ofegante e suando em bicas, apoia o braço no banco do passageiro e se vira para ver o resultado do seu ataque. Naquela direção, a escuridão é quase total, amenizada somente pelas luzes de freio do automóvel.
Para seu desespero, o demônio peludo se levanta, sujo de terra e emitindo um rosnado ameaçador. Em meio a todas as formas possíveis que Joe conhece de amaldiçoar alguém em inglês norte-americano, o jipe parte para o ataque, em marcha-a-ré, atingindo novamente a criatura, que desta vez procura se segurar junto ao estepe que está posicionado na traseira.
A velocidade aumenta. De relance, o Vansing acredita ver um volume à beira da estrada, um barranco ou algo do tipo. Com uma manobra brusca, a traseira do carro é conduzida nessa direção, e um grande estrondo preenche a noite quando ocorre o choque.
Ainda zonzo, o motorista pega uma lanterna no porta-luvas e sai, cambaleando para a traseira do jipe, do lado do passageiro. Ele percebe que o que ele achava ser um barranco é, na verdade, uma pequena formação rochosa. O lobisomem encontra-se prensado em diagonal, entre o estepe destruído junto com a traseira do jipe e a rocha. Por incrível que pareça, uma respiração curta e fraca ainda escapa do focinho, que sangra sem parar. Um braço está preso junto ao para-choque, outro está retorcido em meio aos destroços.
Espantado pela criatura não ter sido cortada ao meio no choque, Vansing o analisa com calma pela primeira vez. Sob o facho da lanterna, visualiza os tons de cinza e marrom do pelo, que vão clareando na área dos olhos, bochechas, em boa parte do focinho e no início do pescoço. "É um autêntico lobo mexicano!", pensa Joe, tirando um punhal do bolso. Ele pretende dar um fim a essa vida nefasta, através de uma sangria pela veia jugular.
Outro palavrão é jogado ao ar, quando não consegue furar o pescoço do bicho, danificando o punhal nas violentas e inúteis investidas. Aproximando a mão em pinça à área da tentativa frustrada de corte, através de um potente beliscão, ele descobre uma pele grossa como a do rinoceronte, porém mais flexível. Quase que o seu relaxamento, proveniente da curiosidade, lhe custa caro. Repentinamente, o lobo vira a cabeça e tenta mordê-lo, e ele escapa por muito pouco.
– Vou te mostrar do que Hell Vansing é feito! Tenho um brinquedinho que vem bem a calhar!
Voltando à cabine do jipe, procura novamente a sacola de onde tirou Christine. Dela, retira um machado bem afiado, apesar da lâmina oxidada e do cabo gasto. O homem-lobo urra agonizante, diante da aproximação de seu carrasco. Um sorriso sádico rasga a face do caçador, e assim permanece enquanto o machado sobe e desce sem parar, num violento vai-e-vem que arranca faíscas da rocha, sangue do pescoço do lobo, e uma risada insana de Joe.
Quando finalmente a cabeça rola pela grama, o homem está exausto, seus braços tremem pelo esforço, que foi maior do que esperava (ele parou de contar na décima machadada), mas ele está satisfeito. Larga o machado, abaixa-se e pega a grande cabeça de lobo pelas orelhas.
– Eu venci no final, seu desgraçado! Filho de uma cadela sarnenta! – seu momento de glória, porém, dura pouco. – Mas que diabos de magia-negra é essa?
Espantado, ele larga a cabeça no chão, pois ela está se transfigurando. Os pelos caem e tornam-se cinzas retorcidas, ao mesmo tempo em que as feições de lobo tornam-se cada vez mais humanas. Ao final do processo, ele tem a seus pés uma cabeça de um adolescente de aproximadamente 15 anos de idade, com a pele do rosto pálida e macilenta.
Ao se virar para a traseira do Willys, percebe que a mesma metamorfose ocorreu com o corpo, que agora está aos pedaços. Um mal-estar indescritível invade suas entranhas e ele vomita, sofrendo de terríveis contrações no abdômen, mesmo não tendo mais nada no estômago.
Ele não sabe dizer quanto tempo levou até ocultar os restos mortais do garoto, jogar fora suas roupas sujas e limpar a traseira do jipe. Tem apenas uma leve noção de que faltam poucas horas para o raiar do dia. Ainda não conseguiu digerir o acontecido naquela estrada deserta do México, mas sabe que deve iniciar um exaustivo trabalho de pesquisa e aprimoramento, pois acaba de encontrar um objetivo para sua vida. E é em meio a esses pensamentos que prossegue em seu caminho de volta para casa.

13 de maio de 2010

Design - Capa do Livro

design by Silvio Medeiros

12 de maio de 2010

Fúria Lupina Brasil - Degustação 1


Nota: este é um capítulo de degustação do livro "Fúria Lupina - Brasil" (2010). Para ler outros capítulos, CLIQUE AQUI.

Dor e Sangue

Dor intensa, extrema. Células executam um balé macabro: a dissociação, a remodelagem e novamente a fusão. Fraturas em toda a extensão da estrutura óssea, distensões em cada músculo do corpo, rompimento de todos os ligamentos e tendões. Os órgãos internos entram num frenesi enlouquecedor durante a mutação, ao mesmo tempo em que os sentidos são ampliados e melhorados.
Com isso, uma cacofonia corpórea toma de assalto sua audição: o rufar de tambor do coração cada vez mais selvagem, os ossos do crânio se reencaixando, estalos absurdamente desagradáveis vindos de todas as partes do corpo. Surge um intenso calor, que vai além de qualquer febre humana, decorrente da imensa energia que é liberada nesse processo místico-biológico.
Apesar de durar apenas alguns segundos, essa agressão aos sentidos parece durar uma eternidade. Uma agonia terrível, que excede todos os limites do que uma pessoa pode suportar. Mas o ser que passa por esta provação não é humano, e agora tem em seu poder a recompensa por aguentar tudo isso.
Ao final da metamorfose, uma poderosa criatura levanta-se da posição fetal em que se encontrava. Uma grande cabeça de lobo move-se para a direita e para a esquerda, saboreando avidamente o que a noite tem a oferecer. Odores da madrugada envolvem o seu olfato, sua visão é perfeitamente clara, apesar de estar numa mata fechada, sua vasta pelagem negra arrepia-se ao sentir a pulsação da natureza ao seu redor. Até o final da noite, seu paladar também será requerido.
O ano é 1977, mas neste instante ele não quer saber o que é punk rock, Songs From The Wood, Motorhead. Deixa de se preocupar com a ditadura militar, o tufão Thelma, a tragédia de Tenerife. Ignora Niki Lauda, Corinthians, Star Wars, Cruz de Ferro. O humano não está mais aqui, quem comanda agora é o lobo. Todas as fraquezas e incertezas são deixadas de lado, o frio raciocínio une-se a valiosos instintos.
A visão deste homem-lobo é aterradora e ao mesmo tempo impressionante. Em postura ereta, com seus mais de dois metros de altura, garras e dentes em posição de ataque, é uma máquina de matar pronta para enfrentar quem quer que seja, apresentando também agilidade para sobrepor os mais difíceis obstáculos. Sobre quatro patas, tem otimizadas suas qualidades de exímio farejador, apresenta flexibilidade e explosão muscular que permitem empreender corridas velozes, saltos inacreditáveis, esquivas e ataques inesperados. Possui uma força sobrenatural, sem abandonar a inteligência da mente humana.
Esta noite, não irá perambular a esmo, até que uma vítima desavisada entre no seu campo de ação. Seu objetivo é bem definido, e para ele vem se preparando nos últimos tempos, tendo certeza de que fará tudo o que é necessário, com precisão infalível. Um uivo curto é lançado em direção às copas das árvores que o cercam, e ele inicia seu galope, para não parar até chegar ao local definido.
Às margens da mata, ergue-se imponente uma grande fazenda, rústica e ao mesmo tempo bela. Em um dos quartos da propriedade, uma mulher respira com dificuldade. Ela também suporta grande dor física, mas o motivo, porém é bem diferente. Esta guerreira trava agora uma nobre batalha, que é a de trazer uma nova vida a este mundo de sofrimento.
Oito horas atrás, teve início seu trabalho de parto. A parteira foi solicitada, atendendo prontamente ao chamado, chegando a cavalo juntamente com uma ajudante. Desde então, a mãe vem sendo assistida pela dupla, recebendo massagens, compressas e palavras de conforto. Apesar de não ser o primeiro filho, a gestante aprecia esses cuidados e nutre por elas um sincero sentimento de companheirismo e de gratidão.
O ar cheira a álcool, e sua visão é preenchida pelo branco límpido dos lençóis e toalhas que estão ao seu redor, sempre à mão das mulheres que a estão auxiliando. As contrações são cada vez menos espaçadas, e a dor lancinante dá o aviso de que chegou a hora.
A parteira a posiciona de cócoras, e com uma voz doce sussurra em seu ouvido que este momento é somente seu e do bebê, posicionando-se às suas costas. Cores e luzes explodem em seus olhos, gemidos prolongados escapam de seus lábios. Os minutos arrastam-se exaustivamente. Dor, esforço, expulsão, alívio, choro.
O lobisomem fareja o ar. Apesar da distância, o cheiro de uma nova vida é tão pungente que parece traçar espirais no ar, como se fosse uma via com letreiros luminosos indicando o caminho a seguir, instigando os sentidos da criatura, encorajando-o a prosseguir com sua marcha através das trevas que inundam a floresta.
Ela se vê agora deitada de costas, sobre uma manta colocada no chão do quarto. Um choro de bebê preenche o recinto, e as mãos habilidosas da parteira trazem a criança para junto da mãe, ainda com o cordão umbilical intacto.
Este pequeno presente, que agora descansa silenciosamente sobre seu peito, compensa todo o sofrimento e limitações pelos quais passou nos últimos tempos. As mulheres concluem o processo de rompimento do cordão e as últimas providências do parto, deixando a mulher e a criança instaladas confortavelmente, partindo logo em seguida.
Um amigo da família providencia o transporte de volta das mulheres, pois os cavalos que elas trouxeram estão agitados, e recusam-se a deixar a cocheira da propriedade, com olhos arregalados e espumando. Eles são obrigados a apelar para o caminhão da fazenda, que não é o melhor em conforto, mas que as levará em segurança para suas casas.
Quando deixam para trás o portão aberto da propriedade, um grande alívio toma conta das duas. A ajudante poderia jurar que, em sua visão periférica, tenha vislumbrado uma sombra atravessar a estrada logo após a passagem do caminhão, em direção à propriedade de onde acabaram de sair. Ela espera que, para o bem de todos, isso tenha sido somente uma ilusão, criada pelo cansaço.
Se soubesse o quanto estava errada, em aflição padeceria. Um grande vulto move-se lentamente, junto a uma das janelas do cômodo em que se deu o nascimento. Não é possível ver exatamente do que se trata, pois as cortinas da janela não fornecem transparência suficiente. A mãe, absorvida pelo momento único de contato com o recém-nascido, não ouve a respiração longa e ritmada que vem do lado de fora.
Não há vento, mas mesmo assim as cortinas fazem um movimento, avolumando-se cada vez mais para dentro do quarto, até que por uma fresta irrompe um grande focinho. Um farejar, um avanço lento e contínuo, cabeça, braços, tronco, patas traseiras.
Após adentrar o quarto sorrateiramente, a criatura se levanta sobre as patas traseiras e avança para a cama, o olhar fixo no bebê. A mãe, exausta, encara o lobo com olhos arregalados, caindo em um estupor que turva sua visão e faz fugir o ar de seus pulmões. Um único pensamento invade sua mente: seus olhos são totalmente humanos. Para um humano que se transforma numa besta selvagem, nada mais justo que a única parte de seu corpo que permaneça imutável seja a janela da alma, mantendo o vínculo entre homem e fera. Com esse pensamento, tomada de uma emoção descontrolada, ela desmaia.
O lobisomem, não tomando conhecimento da reação da mulher, aproxima-se lentamente da criança, com os pelos do pescoço eriçados. Olhos fixos, sem piscar, acomoda-a entre suas mãos em concha, envolvendo-a facilmente. O focinho vai se aproximando, abrindo-se e exibindo imensas presas gotejantes. Sua língua toca o cordão umbilical do bebê, que pela primeira vez depois da separação da mãe abre os olhos, fita a criatura e permanece calmo, parecendo saber que seu destino está totalmente entregue ao lobo. E ele, com certeza, já tem o que quer e sabe o que fazer.
Um olhar de agradecimento é direcionado à mãe, ele se vira e empurra as portas duplas, saindo para a ampla varanda da casa isolada. Sua cria, uma fêmea, é saudável e tem seu sangue nas veias. Com certeza, será motivo de muito orgulho nos anos vindouros. Esta será uma noite de celebração, e seus irmãos devem ser convocados.
Ele enche os pulmões com o ar frio da madrugada, sentindo um júbilo indescritível, e emite o uivo mais potente que esta cidade já ouviu. Em resposta, outros uivos enchem a noite, vindos de diferentes direções, a quilômetros de distância.
Os moradores da cidade, ao ouvirem essa sinfonia noturna, que provoca arrepios até no homem mais corajoso, se encolhem em suas camas, tentando a muito custo conciliar o sono. Resta apenas aguardar a chegada do sol, trazendo o conforto de um novo dia. Esta é, efetivamente, uma noite para permanecer dentro de casa, pois a alcateia de Joanópolis está eufórica com a chegada de mais um membro.

17 de abril de 2010

Curtas Brasileiros de Animação

O Lobisomem e o Coronel

Este eu tive o prazer de assistir na exibição do Anima Mundi. Mistura de cordel, repente e computação gráfica. Muito bom o mix de animação 2D e 3D.

http://www.youtube.com/watch?v=RKzquqCLJHo


A Noitada do Lobisomem

Animação bem-humorada sobre uma noite de lua cheia.

http://www.youtube.com/watch?v=mtb0UI1JkX0


O Lobisomem

Uma releitura do mito feita por uma garotada talentosa.

http://www.youtube.com/watch?v=2MsCMOJ5h7Y

16 de abril de 2010

Werewolf by Alexander Perkins

Uma belíssima ilustração de lobisomem consta no portfólio do artista Alexander Perkins.

É muito bom ver excelentes artistas expressando visões distintas do tema, principalmente se forem profissionais fora do círculo do terror.
Mais ótimas imagens do portfólio de Perkins estão disponíveis no site oficial do artista.

Lobisomens por Roger Cruz


Temos aqui duas ilustrações do desenhista de histórias em quadrinhos Roger Cruz, trazendo visões particulares sobre o tema lobisomem.
Confira o excelente trabalho do artista nos seguintes canais: